Como calcular a margem real de um carro usado (e por que a planilha erra)
A margem que aparece na planilha quase sempre é maior que a real. Veja a conta completa, com preparação e dinheiro parado, e um exemplo passo a passo.
Equipe PátioRadar · 4 min de leitura · 8 de outubro de 2026

Neste artigo
Quase todo dono de revenda sabe dizer de cabeça quanto pagou num carro e por quanto quer vender. A diferença entre os dois números parece ser o lucro. Não é. Entre a compra e a venda existem pelo menos dois custos que a planilha comum não enxerga, e é neles que a margem some sem ninguém perceber.
Este artigo mostra a conta completa, com um exemplo do começo ao fim, e explica os dois erros mais comuns de quem calcula margem de carro usado.
A conta que quase todo mundo faz
A conta rápida é esta: preço de venda menos preço de compra. Um carro comprado por R$ 52.000 e anunciado por R$ 62.000 "dá" R$ 10.000 de lucro. Dividindo pelo preço de compra, sai uma margem de 19%.
O problema é que essa conta trata o carro como se ele tivesse saído do vendedor anterior direto para o cliente final, no mesmo dia e sem passar pela oficina. Na vida real, ele passa pela preparação e fica parado no pátio esperando comprador. Os dois custam dinheiro.
O custo real tem três partes
1. O valor de compra. O que você pagou pelo carro, incluindo o valor dado na troca, se foi o caso.
2. A preparação. Tudo o que foi gasto para deixar o carro vendável: funilaria, pintura, pneus, revisão, higienização, documentação, transferência, comissão de quem trouxe o carro. É comum o lojista lembrar da funilaria e esquecer do documento e da higienização. Some tudo.
3. O custo do dinheiro parado. É o que mais engana, porque não aparece em nota nenhuma. O dinheiro que está preso no carro poderia estar rendendo numa aplicação ou deixando de custar juros no capital de giro. A conta é simples:
custo do capital = custo total × taxa mensal ÷ 100 × dias parado ÷ 30
Com uma taxa de 1,2% ao mês, um carro que custou R$ 55.000 no total custa cerca de R$ 22 por dia só de estar no pátio. Em 45 dias, são quase R$ 1.000 que ninguém lançou.
O exemplo completo
Vamos refazer a conta daquele carro de R$ 52.000:
Compra: R$ 52.000
Preparação (funilaria, pneus, higienização e documentação): R$ 3.000
Custo total antes do tempo parado: R$ 55.000
Dias no pátio até vender: 45 dias
Custo do capital a 1,2% ao mês: 55.000 × 1,2 ÷ 100 × 45 ÷ 30 = R$ 990
Custo real: R$ 55.990
Se o carro sai por R$ 62.000, o lucro real é R$ 6.010, e não R$ 10.000. Quase metade da "margem" da planilha tinha ido embora.
Margem sobre a venda, não sobre o custo
O segundo erro é de régua. Muita planilha calcula a margem sobre o custo: lucro dividido pelo que foi gasto. No exemplo, R$ 6.010 ÷ R$ 55.990 dá 10,7%.
A régua do mercado é a margem sobre a venda: lucro dividido pelo preço de venda. R$ 6.010 ÷ R$ 62.000 dá 9,7%. Ela responde a pergunta certa: de cada real que entra no caixa, quanto fica com você. E é a régua que importa quando o cliente pede desconto, porque o desconto sai do preço de venda.
Faça a conta com um carro do seu pátio:
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Quanto a loja pagou no carro.
Mecânica, funilaria, estética, documentação. Vazio = zero.
Desde a entrada até hoje. É o que faz o custo do capital correr.
Digite o valor da tabela deste modelo e ano.
Vazio = usa a FIPE como preço de saída.
Custo do capital a 1,2% ao mês; semáforo em 15% e 5% — os três são configuráveis por loja dentro do sistema.
Margem real deste carro
Atenção+9,4% sobre a venda
- Custo total (compra + preparação)
- R$ 60.500,00
- Custo do capital · 45 dias a 1,2%/mês
- R$ 1.089,00
- Custo real (breakeven)
- R$ 61.589,00
- Preço de venda considerado (= FIPE)
- R$ 68.000,00
- Lucro
- R$ 6.411,00
- Preço mínimo para 15% de margem
- R$ 72.457,65
Dentro do sistema esta conta roda sozinha, todo dia, para cada carro do pátio — e vira uma ação quando a margem cai.
Cadastre esse carro e veja a ação de hojeQuanto de margem é saudável
Não existe um número mágico, mas existe um raciocínio. A margem precisa cobrir uma negociação normal com o cliente e ainda pagar o tempo que o carro pode ficar parado. Como referência, o PátioRadar usa três faixas:
Acima de 15%: margem segura. O carro aguenta um desconto e ainda paga o capital parado.
Entre 5% e 15%: atenção. Cada semana no pátio come um pedaço; vale decidir entre girar logo ou segurar com preço firme.
Abaixo de 5%: alerta de prejuízo. Qualquer desconto vira perda, e esse carro pede uma decisão hoje.
Cada loja pode ajustar essas faixas à sua realidade. O importante é que a margem seja calculada sobre o custo real, senão a faixa mente.
O que fazer com essa conta
Calcular a margem real de um carro uma vez já ajuda. O ganho de verdade aparece quando a conta é refeita todo dia, para o pátio inteiro, porque o custo do capital cresce a cada dia e a FIPE muda a cada mês. Um carro que estava na faixa segura no dia em que chegou pode estar em alerta dois meses depois, sem que nada tenha mudado no anúncio.
Por isso o hábito que mais protege margem é simples: olhar toda semana quais carros mudaram de faixa e decidir o que fazer com cada um, em vez de esperar o cliente aparecer.
Escrito pela Equipe PátioRadar, com números da Tabela FIPE oficial.
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